terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Fim de ano

Não farei listas nem qualquer promessa para o ano que vem, salvo a de não fazer listas ou qualquer promessa. Sinto um enorme cansaço, fruto de um plantão que começou ontem, cujo horário é de 5 da matina até 3 da tarde. Meu sono é rarefeito e isso afeta meu humor e modus operandi. Apesar disso, tento sorrir. Penso no tiramissù que comerei hoje à noite, penso no espumante (sem exageros, espero), penso no mundo (novo?) que vem a cada dia. Bocejos enormes enquanto escrevo este texto. Hora do café da manhã. Um feliz 2014 para todos nós!

sábado, 7 de dezembro de 2013

Nada de novo no front ou os chocolates continuam diminuindo incessantemente

Tomo uma Coca Cola (light), enquanto penso na diminuição gradativa dos chocolates. Há de chegar um tempo em que pagaremos a mesma coisa por apenas um quadradinho de chocolate. Certas coisas me irritam nessa vida, e a "diminuição gradativa dos chocolates" (dgc) é uma delas. Estudo, leio, penso no prêmio da mega sena e no meu grande amor ao ócio. A vida segue e sigo enfurnado em minhas pequenas e adoráveis obsessões. Os filmes que quero ver e não vejo: a oferta é bem maior que a demanda. Tento comprar ingresso pro jogo do Atlético, mas e a fila? Ah, não, o Ronaldinho que me perdoe, mas assistirei o jogo no boteco: as filas também me irritam profundamente. Plantões não me irritam, mas me cansam e não gosto (nem me acostumo). Mas há suas vantagens: escrevo no blog, estudo no tempo livre (que é muito) e tiro foto com a Maitê Proença, ícone emblemática de minha adolescência. Além de comer uma feijoada quando em vez. Sigo desejando furiosamente o ócio. Nada de novo no front.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Nova poesia

Muito bom esse Gregorio Duvivier. Esse livro dele, Ligue os Pontos, já está na minha lista de Natal. Do que já li, é o cotidiano e os amores tratados de forma simples, porém sua simplicidade é enganosa.Deste poema, adoro a última frase, a saber: "minha paixão é um sábado que não termina nunca".

você é a última dos moicanos no pacote
de jujubas a cereja do bolo no topo
do milk-shake de creme de la crème
brûléeaquela música do cole porter
o topo do top de todos os pokémons
você é aquele que me diz calma tá tudo
bem agora você é o meu beatle preferido
tem dias em que é o george e dias em que
é o paul e dias em que é o chico buarque
e dias em que é aquele feriado que cai
no meio da semana e a gente enforca
pros dois lados imagine um réveillon fora
de época é você uma terça-feira de carnaval
em plena sexta-feira da paixão e minha
paixão é um sábado que não termina nunca.

sábado, 9 de novembro de 2013

It's not only rock'n'roll. But I like it.

O que ando escutando? Muitas coisas novas. Começo com a grande novidade:

Nunca tinha ouvido falar dessa banda. Mas é com certeza um dos melhores discos do ano. Ótimos instrumentistas (principalmente guitarra e bateria) e muito rock'n'roll. Nada muito inventivo, mas extremamente bem executado. 

O novo do Arctic Monkeys é muito bom. Menos rock do que os anteriores, alguma coisa de som negão tocado pelos branquelos ingleses. Mistura improvável e certeira. As letras continuam ótimas.

Outro grande disco nesse ano é esse acima. Sonoridade soturna e letras ídens . Nick Cave é um artista ímpar. Como Tom Waits também o é. Destaque para a maravilhosa e apoteótica Jubilee Street.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Cansaço auto-provocado. E Lou Reed.

Tenho dormido pouco e a culpa é do Xbox-360. Mais especificamente, por causa do Fifa 11. Chego em casa dez e meia da noite, começo a jogar lá pelas 11 ou meia-noite (depende do dia da semana). E invariavelmente vou até uma, duas da manhã. Aí leio um pouquinho e caio no sono. Que dura até 8 e meia. Daí o cansaço. Culpa do vício. A cada dia espero chegar o fim da noite pra eu me esbaldar em jogatina. Uma hora isso para. Ou tem de parar. Porque se não, não vou aguentar. Mas deixa eu falar do Lou Reed, meu mestre, mentor, etc e tal.









Um cara foda. Podia até ser muito chato e de poucos amigos (li uma biografia dele há uns dez anos, sei do que falo). Mas importa é a arte. E nela, mr Reed era "o" cara. Simplesmente fundou o Velvet Underground e mudou o foco de tudo que a música dizia até aquele momento: nada de sol e garotas, mas a urbanidade e a sujeira das ruas de Nova Iorque, com suas prostitutas, travestis, drogas e perversões. O cara sabia. Sim, fez alguns discos mais ou menos nos anos 80, mas foi um artista que nunca desistiu de ir além. Seja com álbuns experimentais  inaudíveis, como o Metal Music Machine, seja com discos temáticos (os drogados de Berlin ou a doença e a morte de Magic and loss). Era um poeta do rock, um dos poucos. Heroin é uma das canções mais pungentes já escritas. O cara vai fazer falta.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Ânsia ou prazer?

Adoro comer. A gula é, creio, o pecado capital no qual mais incorro. Penso em doces e salivo. Quando viajo, anseio os momentos das refeições e, claro, das sobremesas. Mas creio que essa vontade permanente, em parte considerável, é apenas ânsia. Daí que penso que se poderia inventar um antídoto para essa fome psicológica. Sim, claro que existem prozacs e moderadores de apetite, mas falo de algo que não vicie e não faça mal à saúde. Ou que inventem então doces e delícias que não nos engordem. Sim, sou repetitivo. Cada qual com suas manias e obsessões. A nutricionista me receitou um troço pra borrifar quando vier aquela vontade de me adoçar. Vejamos se funciona. Porque não gosto de me torturar e o regime, sabemos, é tortura.
Ai, ai, ai...

sábado, 12 de outubro de 2013

Palavra minha


Um poema de dez anos atrás, quando, obviamente, escrevia poemas:

Minha palavra é quase
é talvez
penumbra
e penugem
de pavão

Fresta de angústia
réstia de poeira

tudo o que me foge
mais uma dose
de tristeza
procurando
o esplendor

22/07/03

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Melhores começos de livros

"As salamandras são capazes de voltar às suas tocas com uma precisão surpreendente. Se você as pega e as leva depois de uma montanha, elas voltam pra casa.
Eu não. Eu me perco. Sobretudo quando bebo".
Esse pequeno e genial trecho, traduzido por mim do italiano, é do livro Branchie, de Niccolò Ammaniti. Aliás, comprei o livro só por causa desse começo.Dentre tantos livros que já li (cuja grande maioria, infelizmente se perdeu em parte de minhas confusas memórias), um bom começo tem o seu lugar. Não que seja fundamental, de outra forma Os Sertões, do Euclides da Cunha não valeria à pena...

Outro início arrebatador, d'A lua vem da Ásia, de Campos de Carvalho:

"Aos 16 anos matei meu professor de lógica. Invocando a legítima defesa – e qual defesa seria mais legítima? – logrei ser absolvido por cinco votos contra dois, e fui morar sob uma ponte do Sena, embora nunca tenha estado em Paris."

Outro fundamental: "Nonada". Pronto, Grande Sertão Veredas. Que, SEM acaso termina com um "Travessia"...

Como não citar "Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira", do Tolstói em Anna Kariênina? E que tal "Uma noite, eu estava sentado na cama do meu quarto de hotel, em Bunker Hill, bem no meio de Los Angeles. Era uma noite importante na minha vida, porque eu precisava tomar uma decisão quanto ao hotel. Ou eu pagava ou eu saía: era o que dizia o bilhete, o bilhete que a senhoria havia colocado debaixo da minha porta. Um grande problema, que merecia atenção aguda. Eu o resolvi apagando a luz e indo para a cama."? John Fante, em Pergunte ao pó.

Pra terminar, bem dornaveia, um Graciliano Ramos, no início angustiado de Angústia:

"Julgo que ainda não me restabeleci completamente. Das visões que me
perseguiam naquelas noites compridas umas sombras permanecem, sombras que
se misturam à realidade e me produzem calafrios.
Há criaturas que não suporto. Os vagabundos, por exemplo. Parece-me que
eles cresceram muito, e, aproximando-se de mim, não vão gemer peditórios: vão
gritar, exigir, tomar-me qualquer coisa".

Melhor que bons inícios, apenas bons finais. Mas isso é pra um outro post...

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Chorando por nada

Noto que estou emocionalmente instável quando escuto Maria Rita cantando "Como nossos pais" , e meus olhos marejam. It's not easy, pal...

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Things change: bullshit.



A vida muda, fato. Eu, nem tanto. Como essa tira, publicada há tanto tempo. Pra mim, atual. Continuo apostando e perdendo. E não vale ganhar pouco. Tem de ser uma bolada pra viajar, pra não trabalhar por um bom tempo. A vida muda, nada, mas a gente tenta.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Todo amor é táctil
e pode quebrar.

Caso aconteça,
esqueça os pedaços
e nem junte os cacos:
não vai mais colar. 

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Nhéca!

Linda a loira do carro ao lado. Não dá para passar despercebida. Enquanto a contemplo,na solidão do meu carro, ela, na sua redoma de beleza e inalcançabilidade, tira-me uma senhora e gorda  meleca de seu belo nariz. Não obstante tal gesto indicativo de que seja mortal e não apenas deusa, ela categoricamente me dá um senhor peteleco na meleca, arremessando-a metro para lá. Ainda bem que não foi no meu carro. E ainda bem que os automóveis são territórios soberanos e nos deixam invisíveis. Não é?

Sobre formigas e relatividade

- Johnny, você se considera um cara legal?
- Putz... sei lá, sou meio suspeito pra falar isso, não? (risos). Olha só, se você perguntar pra minha mãe, com certeza sou! (mais risos). Agora, se perguntar pros meus filhos e minha mulher, ainda vou ter um bom conceito, espero... Pros amigos de bar, com certeza acho que tenho alguma consideração. No trabalho, não sei. Mais pra sim do que pra não, imagino. Agora, se você perguntar pras formigas, acho que elas me considerariam pior do que o Hitler ou Stálin...
-Você não gosta de formigas?
- É... podemos dizer quer foi um trauma de infância: sentei num tronco em que tinha um formigueiro. Imagina o resultado....
-Acontece...
- Pois é, mas acho que meu lado mau se reflete nas formigas. Torturas, inclusive.
-Jura?
- Pois é. Já queimei milhares, travei batalhas inesquecíveis, um Saddam Hussein da vida, sádico, cruel...
-Quem diria... E algum outro ódio?
-Não, não. Detesto pernilongos, mas nada que se compare às formigas. Aliás, no momento estou em plena guerra: invadiram minha casa. Mas ando sem tempo pra me dedicar aos combates e artimanhas mais elaboradas. Mas voltando à sua pergunta, no geral me acho legal. Mas isso é relativo.
- Então, vamos pra próxima questão:

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Frases curtas

Escrevo frases curtas. O twitter seria ideal para a minha escrita, mas tenho preguiça. Gosto de poemas curtos, salvo os de Pessoa. Drummond também, vai.  Repito um dos meus poemas preferidos, do Giuseppe Ungaretti, em que o título já faz parte da poesia:

MATTINA
M’illumino
D’immenso.

Se um dos meus poemas chegasse perto desse... Volto as frases curtas, pois meu pensamento é curto e confuso. Com frases curtas, ele fica mais inteligível. Questão de coordenação e subordinação: não sou coordenado e tampouco subordinado. Daí, frases curtas. Por incompetência. Sempre invejei escritores descritivos. Sou péssimo em descrições. Sou mais subjetivo, entende? Mais sinestesia. Mas gosto da concisão de um Graciliano Ramos. Ao mesmo tempo, encanto-me com os floreios subjetivos de Caio Fernando Abreu e Clarice Lispector. Há de se ter muitos  gostos. Como gosto de uísque, vinho, champanhe, saquê ou dry martini. No problems. Além das frases curtas, alguém já deve ter notado, adoro as reticências, sugerindo sempre algo mais...

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Tipo

Tipo crise, tipo tédio, aperto de mão sem firmeza, desejos fugidios, vontades desencontradas, sonhos inatingíveis. Tipo isso ou tipo aquilo, regime que não funciona, estudos que me fazem perder tempo, estudos que deveriam ser mais disciplinados, videogame que toma meu tempo. Tipo vício em chocolates e tudo de doces: não adianta explicar essa paixão à uma nutricionista- frígidas gastronômicas. Leituras continuam, verdadeiro mito de Sísifo: quanto mais se lê, mais se tem pra ler. O mesmo vale para o conhecimento. E o sexo? Meto o sexo onde não deveria. Acho que dá margens a comentários maldosos. A música salva. Tipo escutar um Piazzolla. Não vejo a hora de chegar em casa e me afundar no videogame. Tipo vício. Tipo crise.

sábado, 31 de agosto de 2013

Essa língua que Deus no-la deu...

Queria mesmo era falar de amor, de sexo, de canções. Mas falo de português. Porque estudo essa língua e quebro a cabeça com ela. É por demais complicada, há zilhões de regras e infinitas exceções. Por que não descomplicá-la? Começando pelo emprego dos porquês. Em italiano é "perché" e acabou. Aqui não, é por que, porque, porquê... E o hífen? E a crase? E o emprego da vírgula? E a oração subordinada substantiva completiva nominal? Não estamos, contudo, sozinhos. O inglês, que dizem que é gramaticalmente mais simples, é também muito difícil. Vai escrever uma redação formal, vai... Além do vocabulário: uma palavra tem múltiplos sentidos, afora os phrasal verbs... Estudar é muito complicado. Queria mesmo era falar de sexo, de amor, de canções.

PS:Esse final de post, parecido com o início, é uma figura de sintaxe chamada de quiasmo, a propósito (sem crase...). Famoso exemplo: Tinha uma pedra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma pedra...


sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Politics

Vez ou outra me horrorizo com a política. A brasileira, em especial. Mais particularmente, o caso da absolvição do deputado Natan Donadon. O horror, o horror. E nós elegemos tais bandidos, aumentando ainda o horror. A culpa é nossa. Quíntuplo, o horror. Não, não acho que explodir o Congresso seja a solução, tampouco acho que no tempo da ditadura é que era bom. Acho que vamos caminhando a passos de lesma em direção a um Brasil melhor. Tanto PSDB quanto PT são pavorosos e são bons. Sim, é contraditório e em cima do muro, mas é sincero. Não acredito em maniqueísmos, um lado ser só ruim e o outro ser só bom. Acho política uma coisa suja, que deveria, por lei, ser coibida: voto secreto, 14º salários, regalias e mordomias, tudo deveria ser extinto. É clichê, mas políticos são nosso espelho. Quem sonega imposto, joga lixo na rua, para o carro em lugar proibido e tem "TV a gato" não tem moral pra reclamar.  Claro que há pecados e pecados, mas o ser humano é muuuito imperfeito.E, certo, também me incluo no grupo dos pecadores (mas no dos pecadores conscientes, dos que tentam melhorar e pecar menos). Ainda mais quando tem poder. Taí o Zé Dirceu e sua trupe, julgados inclementemente, num atropelo das leis. Não que eles não tenham culpa, mas esse Mensalão deveria ser um parâmetro para o futuro, não só porque é "PT" e "nunca se roubou tanto". Bobagem, se roubou tanto e tanto e mais tanto mais (existe um medidor de corrupção??), porém a mídia não bate tanto no PSDB, é muito mais fácil bater no PT. Sim, a mídia tem um viés retrógrado, mas não creio que haja uma "imprensa golpista". (embora a VEJA chegue perto disso).Deveríamos ser capazes de filtrar as informações. Ou, pelo menos, desconfiar. A maioria não o é. E fica esse jogo de só um lado tem razão. Os dois têm, ninguém tem. Lula, FHC,ambos tiveram boas e péssimas ações no governo. O problema é que quem deve limitar o poder dos políticos... são os próprios! Desanimador, não? Arrastando, chegaremos a um lugar melhor, creio nisso. Embora o tal caso Donadon me jogue na cara que sou um grande trouxa.  Só espero estar vivo pra ver as coisas melhorarem, e que saia antes do metrô subterrâneo de Belo Horizonte... (sim, pois se for esperar o tal metrô, eu não estarei vivo, por mais que viva mais 100 anos).

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Novo blog, velhas ideias, velhas reclamações, antigas obsessões. Mesmos sonhos. Novo blog? Não, é o mesmo, só que volta a ter comentários, interação. Como mexer em configurações de blog não é o meu forte, é mais fácil mudar. Casa nova. Dor na veia. Poesia?