quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Cansaço auto-provocado. E Lou Reed.

Tenho dormido pouco e a culpa é do Xbox-360. Mais especificamente, por causa do Fifa 11. Chego em casa dez e meia da noite, começo a jogar lá pelas 11 ou meia-noite (depende do dia da semana). E invariavelmente vou até uma, duas da manhã. Aí leio um pouquinho e caio no sono. Que dura até 8 e meia. Daí o cansaço. Culpa do vício. A cada dia espero chegar o fim da noite pra eu me esbaldar em jogatina. Uma hora isso para. Ou tem de parar. Porque se não, não vou aguentar. Mas deixa eu falar do Lou Reed, meu mestre, mentor, etc e tal.









Um cara foda. Podia até ser muito chato e de poucos amigos (li uma biografia dele há uns dez anos, sei do que falo). Mas importa é a arte. E nela, mr Reed era "o" cara. Simplesmente fundou o Velvet Underground e mudou o foco de tudo que a música dizia até aquele momento: nada de sol e garotas, mas a urbanidade e a sujeira das ruas de Nova Iorque, com suas prostitutas, travestis, drogas e perversões. O cara sabia. Sim, fez alguns discos mais ou menos nos anos 80, mas foi um artista que nunca desistiu de ir além. Seja com álbuns experimentais  inaudíveis, como o Metal Music Machine, seja com discos temáticos (os drogados de Berlin ou a doença e a morte de Magic and loss). Era um poeta do rock, um dos poucos. Heroin é uma das canções mais pungentes já escritas. O cara vai fazer falta.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Ânsia ou prazer?

Adoro comer. A gula é, creio, o pecado capital no qual mais incorro. Penso em doces e salivo. Quando viajo, anseio os momentos das refeições e, claro, das sobremesas. Mas creio que essa vontade permanente, em parte considerável, é apenas ânsia. Daí que penso que se poderia inventar um antídoto para essa fome psicológica. Sim, claro que existem prozacs e moderadores de apetite, mas falo de algo que não vicie e não faça mal à saúde. Ou que inventem então doces e delícias que não nos engordem. Sim, sou repetitivo. Cada qual com suas manias e obsessões. A nutricionista me receitou um troço pra borrifar quando vier aquela vontade de me adoçar. Vejamos se funciona. Porque não gosto de me torturar e o regime, sabemos, é tortura.
Ai, ai, ai...

sábado, 12 de outubro de 2013

Palavra minha


Um poema de dez anos atrás, quando, obviamente, escrevia poemas:

Minha palavra é quase
é talvez
penumbra
e penugem
de pavão

Fresta de angústia
réstia de poeira

tudo o que me foge
mais uma dose
de tristeza
procurando
o esplendor

22/07/03

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Melhores começos de livros

"As salamandras são capazes de voltar às suas tocas com uma precisão surpreendente. Se você as pega e as leva depois de uma montanha, elas voltam pra casa.
Eu não. Eu me perco. Sobretudo quando bebo".
Esse pequeno e genial trecho, traduzido por mim do italiano, é do livro Branchie, de Niccolò Ammaniti. Aliás, comprei o livro só por causa desse começo.Dentre tantos livros que já li (cuja grande maioria, infelizmente se perdeu em parte de minhas confusas memórias), um bom começo tem o seu lugar. Não que seja fundamental, de outra forma Os Sertões, do Euclides da Cunha não valeria à pena...

Outro início arrebatador, d'A lua vem da Ásia, de Campos de Carvalho:

"Aos 16 anos matei meu professor de lógica. Invocando a legítima defesa – e qual defesa seria mais legítima? – logrei ser absolvido por cinco votos contra dois, e fui morar sob uma ponte do Sena, embora nunca tenha estado em Paris."

Outro fundamental: "Nonada". Pronto, Grande Sertão Veredas. Que, SEM acaso termina com um "Travessia"...

Como não citar "Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira", do Tolstói em Anna Kariênina? E que tal "Uma noite, eu estava sentado na cama do meu quarto de hotel, em Bunker Hill, bem no meio de Los Angeles. Era uma noite importante na minha vida, porque eu precisava tomar uma decisão quanto ao hotel. Ou eu pagava ou eu saía: era o que dizia o bilhete, o bilhete que a senhoria havia colocado debaixo da minha porta. Um grande problema, que merecia atenção aguda. Eu o resolvi apagando a luz e indo para a cama."? John Fante, em Pergunte ao pó.

Pra terminar, bem dornaveia, um Graciliano Ramos, no início angustiado de Angústia:

"Julgo que ainda não me restabeleci completamente. Das visões que me
perseguiam naquelas noites compridas umas sombras permanecem, sombras que
se misturam à realidade e me produzem calafrios.
Há criaturas que não suporto. Os vagabundos, por exemplo. Parece-me que
eles cresceram muito, e, aproximando-se de mim, não vão gemer peditórios: vão
gritar, exigir, tomar-me qualquer coisa".

Melhor que bons inícios, apenas bons finais. Mas isso é pra um outro post...

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Chorando por nada

Noto que estou emocionalmente instável quando escuto Maria Rita cantando "Como nossos pais" , e meus olhos marejam. It's not easy, pal...